Dia da Mulher: Menos flores, mais respeito e proteção

Fotografia ultrarrealista e iluminada do plenário do STF. Em primeiro plano, um grande livro de leis aberto com o foco em proteção às mulheres. À direita, um vaso de flores brancas e rosadas solta pétalas que flutuam pelo ar em direção ao livro. Cada pétala carrega uma palavra gravada, como 'Direitos', 'Respeito', 'Justiça', 'Liberdade', 'Segurança' e 'Proteção'. Ao fundo, uma ministra no assento central segura um documento oficial e um martelo de juiz, ladeada por outros ministros em um ambiente limpo de mármore e madeira.
Por Ricardo Russo | ATLAS DAS VOZES

O mundo já girou o suficiente para provar um ponto. De rainhas enclausuradas a operárias com as mãos sujas de graxa, a "História" esfrega uma verdade incontornável: a verdadeira "receita de mulher" não cabe nas estrofes de um poema. Por mais bonito que ele seja.

Vinicius que perdoe a constatação. Ele cravou que "beleza é fundamental". E é. Mas não aquela que se afere no espelho.

A força que a sociedade insiste em confundir com estética está, na verdade, na cicatriz. Está no calo da mão. Na coragem de quem precisou arrombar a porta dos fundos porque a entrada principal era simplesmente proibida.

Durante séculos, a regra do jogo foi o silêncio. Fogueiras da inquisição, fábricas de tecidos trancadas por fora, a exclusão sumária da mesa onde o futuro era decidido.

Ilustração em traços pretos e brancos estilo cartum 'Amar é...'. Um casal sorridente, onde o homem carrega a mulher no colo. O texto diz: 'amar é... cuidar e respeitar.'

Olhar para a ilustração acima, com esse "cuidar e respeitar", soa quase como uma inocência de uma época mais simples. Ou talvez não. Talvez seja exatamente aí que resida a revolução diária. Amar é reconhecer o peso dessa travessia sem exigir que a mulher carregue a Terra nas costas, e ainda por cima, sorrindo.

Neste 8 de março de 2026, “Elas” não querem flores. Querem respeito! Querem leis que as protejam. Querem justiça. Querem proteção!

Elas merecem ser amadas como mães, filhas, profissionais, amigas, “Mulheres”. A beleza fundamental é, e sempre foi, a liberdade.

Às que vieram antes, sangrando no anonimato, e às que seguem abrindo caminho na Faria Lima, no sertão ou dentro de casa: “Parabéns”. O eixo do mundo só não despenca porque vocês seguram.