Pesquise no Atlas das Vozes
Um território de política, memória e cultura — onde neutralidade nunca foi virtude.
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Homem caído
Entre ruas, becos
e avenidas,
vejo um homem caído.
Faminto, pede comida.
Está jogado —
ou seria deitado?
Não dá para saber.
O abandono não explica a posição do corpo.
Os pés estão gelados,
sujos, descalços.
Mas isso, curiosamente,
não parece importar.
O homem está caído.
Inocente?
Indecente?
Talvez indigente.
As palavras tropeçam.
A indiferença não.
Pessoas passam.
Olham.
Não o veem.
Ele não existe.
O homem continua caído.
Que destino é esse
— seco, repetido —
que escolhe um homem
para permanecer no chão?
O homem está caído.
E o mundo,
estranhamente,
segue de pé.
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