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Homem caído

Um homem caído
ATLAS DAS VOZES

Entre ruas, becos
e avenidas,
vejo um homem caído.
Faminto, pede comida.

Está jogado —
ou seria deitado?
Não dá para saber.
O abandono não explica a posição do corpo.

Os pés estão gelados,
sujos, descalços.
Mas isso, curiosamente,
não parece importar.

O homem está caído.
Inocente?
Indecente?
Talvez indigente.
As palavras tropeçam.
A indiferença não.

Pessoas passam.
Olham.
Não o veem.

Ele não existe.

O homem continua caído.

Que destino é esse
— seco, repetido —
que escolhe um homem
para permanecer no chão?

O homem está caído.

E o mundo,
estranhamente,
segue de pé.