Pesquise no Atlas das Vozes
Um território de política, memória e cultura — onde neutralidade nunca foi virtude.
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Histórias da Cidade
Histórias da Cidade
O homem caído que ninguém viu
O asfalto estava quente e o corpo ali, no meio do caminho, virou apenas um obstáculo para quem tinha pressa de chegar em lugar nenhum.
O desvio que esqueceu o café na mesa
A moto dobrou à esquerda onde o hábito mandava ir para a direita. Voltei para casa sem o pão, com frio nas canelas e uma vida a menos na bagagem.
O mundo visto de uma moldura de vidro
Lá fora a vida grita, aqui dentro o silêncio observa o vizinho que estende a roupa enquanto o tempo fecha.
De quem é a culpa?
Um corpo estendido que fede a mijo e estraga a paisagem de quem passa com pressa e com a sentença pronta na ponta da língua.
Dois urubus e um cartão de ponto
O bicho no telhado encarou o peito aberto de quem acorda com o despertador e com a culpa. O azar já estava assinado antes do café.
A gente passa, a calçada fica. Amanhã tem mais gente pisando no mesmo erro de ontem.
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