Pesquise no Atlas das Vozes
Um território de política, memória e cultura — onde neutralidade nunca foi virtude.
Em alta
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
A Falsa Autossuficiência de Santa Catarina: O que o Delegado não diz
A "Bolha" Catarinense e o Perigo do Discurso Excludente
O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, resolveu verbalizar o que muitos sussurram nos gabinetes do Sul.
Para ele, Santa Catarina é um "exemplo" por ser um estado de direita e ter menos dependentes do Bolsa Família.
É a estética da meritocracia fardada, que ignora a história e a geografia para vender um paraíso ideológico.
O discurso é inadmissível.
Ao associar a baixa adesão ao Bolsa Família a uma superioridade moral ou política, o delegado flerta com um preconceito estrutural que criminaliza a pobreza alheia.
Ele esquece que a economia catarinense não é uma ilha, mas fruto de décadas de subsídios federais e uma formação agrária privilegiada.
Os Números que o Delegado Ignora
O "exemplo" catarinense revela-se menos excepcional do que a retórica sugere.
Embora Santa Catarina ostente um IDH alto, o estado da Bahia possui um PIB que, em 2024, superou os R$ 300 bilhões, sendo motor vital do Brasil.
O Nordeste não é um fardo. Pernambuco e Ceará apresentam índices de crescimento industrial que superam a média nacional em diversos setores.
Enquanto isso, Santa Catarina recebeu, só em 2024, mais de R$ 50,9 bilhões em transferências federais.
A riqueza do Sul depende do mercado consumidor e da energia que vem do Norte e Nordeste.
O delegado tropeça na vaidade institucional: a segurança não deve ser usada como palanque para segregação.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos