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A Falsa Autossuficiência de Santa Catarina: O que o Delegado não diz

A "Bolha" Catarinense e o Perigo do Discurso Excludente
Delegado em terno com distintivo e arma, fundo com mapa neon de SC
Rapidinha 03 de Fevereiro, 2026
Por Rico Russo | ATLAS DAS VOZES

A "Bolha" Catarinense e o Perigo do Discurso Excludente

O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, resolveu verbalizar o que muitos sussurram nos gabinetes do Sul.

Para ele, Santa Catarina é um "exemplo" por ser um estado de direita e ter menos dependentes do Bolsa Família.

É a estética da meritocracia fardada, que ignora a história e a geografia para vender um paraíso ideológico.

O discurso é inadmissível.

Ao associar a baixa adesão ao Bolsa Família a uma superioridade moral ou política, o delegado flerta com um preconceito estrutural que criminaliza a pobreza alheia.

Ele esquece que a economia catarinense não é uma ilha, mas fruto de décadas de subsídios federais e uma formação agrária privilegiada.

Os Números que o Delegado Ignora

O "exemplo" catarinense revela-se menos excepcional do que a retórica sugere.

Embora Santa Catarina ostente um IDH alto, o estado da Bahia possui um PIB que, em 2024, superou os R$ 300 bilhões, sendo motor vital do Brasil.

O Nordeste não é um fardo. Pernambuco e Ceará apresentam índices de crescimento industrial que superam a média nacional em diversos setores.

Enquanto isso, Santa Catarina recebeu, só em 2024, mais de R$ 50,9 bilhões em transferências federais.

A riqueza do Sul depende do mercado consumidor e da energia que vem do Norte e Nordeste.

O delegado tropeça na vaidade institucional: a segurança não deve ser usada como palanque para segregação.

Para ler em 2 minutos.