Banco Master: investigação avança e clientes aguardam

Fraude do Banco Master
Por RICARDO RUSSO | ATLAS DAS VOZES

A investigação sobre o Banco Master entrou em uma nova fase no início de 2026. A Polícia Federal ampliou diligências, cumpriu novos mandados e passou a ouvir executivos, ex-dirigentes e operadores financeiros ligados à instituição e a bancos que mantiveram operações relevantes com o Master nos anos que antecederam a liquidação.

O foco permanece na apuração de práticas de gestão fraudulenta, manipulação contábil, lavagem de dinheiro e emissão de títulos sem lastro real. Segundo os investigadores, esses ativos teriam sido utilizados para inflar artificialmente a situação financeira do banco, mascarando riscos e ampliando exposições no sistema financeiro.

Parte dos depoimentos busca esclarecer operações bilionárias estruturadas com outras instituições, além da atuação de intermediários responsáveis pela criação, distribuição e circulação dos títulos hoje sob suspeita. A análise de documentos contábeis, registros internos e fluxos financeiros segue em andamento.

O inquérito tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Dias Toffoli. As decisões judiciais já autorizaram quebras de sigilo, bloqueios de bens e medidas cautelares voltadas à preservação de patrimônio que pode estar ligado às irregularidades investigadas.

O controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, responde ao processo em liberdade, sob medidas cautelares. Investigações apontam indícios de que parte do patrimônio de dirigentes e pessoas ligadas à administração do banco pode ter sido estruturada por meio de operações cruzadas entre empresas do mesmo grupo ou utilizadas para ocultar a real origem de recursos. Por esse motivo, bens móveis, imóveis e valores financeiros foram alvo de bloqueio judicial, como forma de resguardar ativos enquanto o inquérito avança.

No campo administrativo, a liquidação extrajudicial conduzida pelo Banco Central acionou o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por indenizar clientes dentro dos limites previstos em lei. O processo de ressarcimento ocorre de forma escalonada e depende da consolidação das informações por parte do liquidante, incluindo dados sobre depósitos, aplicações e vínculos contratuais.

O FGC informou que os pagamentos são realizados exclusivamente por seus canais oficiais e alertou para tentativas de golpes que se aproveitam da situação dos clientes lesados. Valores que excedem o teto de cobertura não entram no pagamento automático e passam a integrar a massa da liquidação, ficando condicionados à recuperação de ativos e ao desfecho judicial do caso.

O episódio do Banco Master se consolidou como uma das maiores investigações recentes do sistema financeiro brasileiro. Além do impacto direto sobre investidores e correntistas, o caso expôs fragilidades nos mecanismos de governança, fiscalização e controle de instituições financeiras de médio porte.

As investigações seguem em curso. Não há, até o momento, previsão para o encerramento do inquérito nem para a conclusão definitiva dos pagamentos.

Fontes:
Agência Brasil — https://agenciabrasil.ebc.com.br
CNN Brasil — https://www.cnnbrasil.com.br
Reuters — https://www.reuters.com
Banco Central do Brasil — https://www.bcb.gov.br
Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — https://www.fgc.org.br

Série Especial — Caso Banco Master

A investigação sobre o Banco Master vem se desdobrando em capítulos. Leia a cobertura completa:

  1. Fraude do Banco Master: investigação avança e a atuação da Polícia Federal
    15 de janeiro de 2026
  2. Fraude do Banco Master: esquema bilionário e novos desdobramentos
    02 de fevereiro de 2026
  3. Caso Banco Master: Ibaneis Rocha e o indiciamento pela PF
    04 de fevereiro de 2026
  4. PF acessa dados de Vorcaro e BC dá ultimato ao BRB
    09 de fevereiro de 2026
  5. Caso Master: investigação chega ao STF e envolve Reag
    12 de fevereiro de 2026
  6. O rastro do Banco Master: a rede revelada
    19 de fevereiro de 2026

A cobertura segue em atualização.

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