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Lula ao UOL: O Pragmatismo no Limite e o Fantasma de Washington
A entrevista de Luiz Inácio Lula da Silva ao UOL nesta quinta-feira não foi apenas uma prestação de contas doméstica; foi um exercício de sobrevivência em um tabuleiro global que se move contra Brasília.
Entre o aceno à esquerda e a realpolitik nua e crua, o presidente tentou equilibrar pratos que, em qualquer outra mão, já teriam se espatifado no chão de mármore do Planalto. O cenário de 2026 exige mais que retórica; exige contorcionismo diplomático.
A Sombra de Mar-a-Lago
O ponto de inflexão é a confirmação do encontro com Donald Trump. É o "abraço no urso". Lula sabe que o isolacionismo americano de 2026 é um veneno para o G20 e para as pretensões brasileiras de liderança climática. Ao aceitar o diálogo, Lula sinaliza que o pragmatismo venceu a ideologia. Ele busca evitar uma colisão frontal com a maior potência do mundo, enquanto observa, pelo canto do olho, o avanço chinês na região.
Contradições em Gaza e no Caribe
No Oriente Médio, o tom permanece o mesmo: a crítica contundente ao que chama de excessos em Gaza. É o discurso que o faz herói no Sul Global, mas que o deixa em um "corner" diplomático com as democracias liberais ocidentais. Contradição que se repete ao falar de Caracas. O labirinto semântico da "autodeterminação" para não carimbar a Venezuela de Maduro como ditadura é o preço alto que o governo paga para manter uma influência cada vez mais pálida na fronteira norte.
Fogo Amigo e o "Lado B" do Poder
Internamente, o "dedo no olho" veio na forma de silêncios incômodos. Ao ser confrontado com o Caso Banco Master e as suspeitas no INSS envolvendo familiares, o presidente foi seco. O "quem errou, paga" é a frase protocolar, mas a tensão no olhar revelou que o flanco ético é onde a oposição vai bater sem trégua até as urnas.
O Xadrez de 2026 e o Fim da Escala 6x1
Lula abraçou a pauta do 6x1 por necessidade política. Ele precisa de uma bandeira popular para contrapor a amargura do ajuste fiscal que o Congresso impõe. Sobre a sucessão? O presidente jogou parado. Enquanto nomes como Simone Tebet se movimentam no maior colégio eleitoral do país, Lula se mantém como o único centro de gravidade capaz de segurar uma frente ampla que racha a cada votação.
O que as entrelinhas disseram
- Trump: A reunião não é cortesia, é contenção. O Brasil teme sanções tarifárias e busca blindagem.
- 6x1: A adesão ao fim da escala é o triunfo da pressão digital sobre a prudência econômica do Ministério da Fazenda.
- Sucessão: Lula não abre mão do protagonismo, mas monitora de perto o domicílio eleitoral de Tebet em SP.
Análise baseada na entrevista concedida ao UOL e apuração de bastidores em Brasília (05/02/2026).
O Brasil que saiu dessa entrevista é um país que tenta liderar o mundo em 2026, mas que ainda tropeça nos próprios fantasmas internos. É a luta por relevância em Washington e por paz em Brasília. Duas guerras que Lula tenta lutar ao mesmo tempo.
Fontes: Entrevista UOL (05/02/2026), Itamaraty e Transparência Internacional.
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