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Caso Banco Master: PF acessa dados de Vorcaro e BC dá ultimato ao BRB

Investigação Polícia Federal Banco Master
Por RICO RUSSO | A Engrenagem e o Mando | ATLAS DAS VOZES

A conta do Banco Master não fecha e o buraco, agora, parece ter engolido a última linha de defesa tecnológica dos envolvidos. O que era um emaranhado de títulos podres e fraudes bilionárias transformou-se, nesta segunda-feira, em um campo aberto de dados que promete expor a espinha dorsal de um sistema desenhado para ser invisível.

A Polícia Federal e o Banco Central puxaram o fio e o que veio atrás foi um ecossistema de dependência mútua. Além do BRB, que já ocupava o topo da lista de problemas com uma exposição bilionária, novos nomes entraram oficialmente no radar da Operação Compliance Zero. O cerco eletrônico fechou-se com a notícia de que os peritos da PF conseguiram acessar integralmente o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, após vencerem a criptografia do aparelho.

O efeito dominó: novos nomes no radar

O Will Bank, banco digital com laços estreitos com o Master, foi liquidado pelo Banco Central no final de janeiro. A suspeita é de que tenha sido usado como uma das pontas para girar ativos inflados. A Reag DTVM também sofreu liquidação; a PF aponta que bilhões em ativos estavam com valores artificialmente "bombados". Na esteira desse rastro, a CVM anunciou hoje a criação de um grupo de trabalho exclusivo para analisar as operações do grupo.

Para essas instituições, a implicação imediata é a crise de confiança. O BRB, pressionado pelo Banco Central, tem até esta sexta-feira para apresentar um plano de reforço patrimonial de R$ 5 bilhões para cobrir o rombo. O governo do Distrito Federal já admite que o prejuízo pode ser massivo, o que ressuscita o fantasma da privatização para cobrir o rombo. O efeito prático é o travamento de novas operações e o escrutínio cerrado do regulador sobre cada balancete.

No limite, novas liquidações podem ocorrer. O sistema financeiro corre para evitar um risco sistêmico, mas o custo será alto: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) já iniciou o pagamento aos clientes com até R$ 250 mil, consumindo uma fatia histórica de suas reservas líquidas. É uma conta que, em última análise, será rateada por todo o sistema bancário.

A caixa-preta digital e o papel de Brasília

A Polícia Federal não pretende parar na superfície. Com o acesso aos dados do celular de Vorcaro, o foco agora é a extração de mensagens e registros que esclareçam o papel de autoridades políticas no aval das operações suspeitas. A extração inclui dados de um iPhone 17 Pro Max, aparelho que se tornou a peça central para entender as pressões exercidas sobre órgãos públicos para evitar a liquidação agora consumada.

Um novo braço da investigação apura o uso do banco para lavar dinheiro de empresas ligadas ao crime organizado. Mais de 101 pessoas e empresas tiveram seus dados bancários abertos por decisão do ministro Dias Toffoli, buscando o caminho final do dinheiro que desapareceu dos balanços oficiais em triangulações que somam R$ 11,5 bilhões.

O Banco Master mantém o tom defensivo. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que o empresário tem colaborado continuamente e que as acusações iniciais de fraude deliberada são improcedentes. Enquanto isso, o presidente Lula elevou o tom hoje, declarando que as investigações são cruciais para atingir o que chamou de "magnatas da corrupção".

O Governo Federal, que assistia de longe, começou a se mexer. O Ministério da Fazenda avalia o processo do BC como robusto, mas há uma pressão silenciosa no Planalto para que o caso não contamine a imagem de estabilidade econômica do país. No Senado, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) já articula a criação de uma subcomissão para acompanhar o desenrolar do caso, garantindo que a investigação não morra na praia.

No Distrito Federal, o governo Ibaneis Rocha tenta se descolar do escândalo enquanto o BRB corre contra o relógio para evitar uma intervenção direta. A mistura de gestão temerária e influência política criou uma bomba que ainda não foi totalmente desarmada.

O caso Master deixou de ser uma fraude isolada para se tornar o maior teste de estresse do sistema regulatório brasileiro na década. Se a PF e o Banco Central não agirem com precisão cirúrgica, o rastro do Master pode levar muito mais do que apenas alguns CNPJs para o fundo do poço — pode comprometer a própria credibilidade institucional das autarquias de controle.

Instituição Status Atual Exposição/Risco
Banco Master Liquidado / Perícia da PF ativa Fraudes de R$ 17 bi
BRB Prazo até 13/02 para R$ 5 bi Risco de intervenção
Will Bank Liquidado pelo BC Giro de ativos inflados
Reag DTVM Liquidada / Grupo CVM Gestão de fundos fictícios

Fontes: Polícia Federal, Banco Central do Brasil, Agência Brasil, Correio Braziliense, CNN Brasil.