Pesquise no Atlas das Vozes
Um território de política, memória e cultura — onde neutralidade nunca foi virtude.
Em alta
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos
Caso Orelha – O fim do privilégio
Caso Orelha – O fim do privilégio
A Polícia Civil de Santa Catarina colocou um ponto final no inquérito que expôs a face mais perversa da crueldade recreativa. O caso do cão Orelha, o vira-lata comunitário que era o rosto da Praia Brava, em Florianópolis, foi encerrado com a confirmação do que muitos já suspeitavam: o sadismo não escolhe classe social, mas a impunidade, desta vez, não encontrou brecha.
O principal executor das agressões que levaram à morte de Orelha é um adolescente. Enquanto a comunidade chorava a eutanásia do animal por traumatismo craniano, o jovem passava férias na Disney. Na volta, o choque de realidade: foi identificado por um software francês de geolocalização e pelas próprias roupas — o moletom e o boné usados no crime foram apreendidos no desembarque. A tecnologia desintegrou a versão do "eu não estava lá".
O que torna o caso ainda mais sintomático da nossa estrutura social é o indiciamento de três adultos: dois empresários e um advogado — pais e tio dos envolvidos. Eles não seguraram o pedaço de pau, mas seguraram a verdade. Foram indiciados por coação no curso do processo após tentarem calar testemunhas. Para o delegado, ficou claro que houve uma operação familiar para blindar os garotos.
A Polícia Civil pediu a internação do agressor principal, a medida mais severa do ECA. Orelha virou símbolo. Sua morte não foi em vão se servir para mostrar que o CEP e o sobrenome não dão salvo-conduto para a barbárie contra quem não tem voz.
- Gerar link
- X
- Outros aplicativos