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O Eixo Oriente e a Batalha pelo Ártico: o novo mapa do Poder Global

Ilustração geopolítica mostrando a aliança Rússia-China e a disputa estratégica dos Estados Unidos pelos minerais raros da Groenlândia no Ártico.
Por Lina Vasconcelos | O Mapa Rasgado | ATLAS DAS VOZES

O xadrez global amanheceu este 5 de fevereiro de 2026 com as peças movendo-se em direções opostas, mas sob a mesma lógica de força bruta.

Enquanto Vladimir Putin e Xi Jinping consolidam uma "âncora de estabilidade" no Oriente, o Ártico ferve sob uma pressão transatlântica que ameaça a integridade da própria Otan. A videoconferência realizada ontem entre Moscou e Pequim não foi apenas protocolar; os ecos ainda ditam o ritmo das bolsas e das chancelarias hoje.

A Simbiose de Moscou e Pequim

Putin foi enfático ao descrever a aliança com a China como o único contraponto capaz de garantir a previsibilidade em um sistema internacional que ele define como "em frangalhos". Para o Kremlin, a simbiose com Xi Jinping não é mais uma escolha estratégica, mas uma necessidade de sobrevivência mútua que se estende da cooperação militar à exploração espacial.

Contudo, o discurso de "estabilidade" russa encontra seu espelho invertido no extremo norte do mapa. Na Groenlândia, o gelo que derrete revela um solo rico em minerais de terras raras — o combustível da tecnologia de defesa e da transição energética.

Este movimento atiça um apetite de Washington que a diplomacia europeia já não consegue conter. Donald Trump, em sua ofensiva para garantir a segurança nacional dos EUA, colocou a Dinamarca e a Otan em uma encruzilhada perigosa. A ameaça de tarifas sobre aliados europeus que se opõem ao avanço americano transformou a ilha gelada no epicentro de uma crise de soberania.

O Ártico sob Pressão

Copenhague resiste, apoiada por vizinhos como Alemanha e Noruega, que enviaram tropas para exercícios na região. A tensão é palpável. O argumento americano de que a Dinamarca não possui musculatura para proteger a Groenlândia de investidas — ironicamente — da própria Rússia e da China, serve de pretexto para uma tentativa de ocupação estratégica.

O que se vê neste início de fevereiro é um mundo que desistiu das sutilezas. De um lado, um bloco que se fecha para projetar uma ordem alternativa; do outro, uma potência que ignora as regras do clube que ela mesma fundou em nome de recursos que garantam sua hegemonia no século 21.

A estabilidade proclamada por Putin e a "necessidade estratégica" de Trump são duas faces da mesma moeda: o fim da era das concessões e o início de uma geopolítica de apropriação direta. O tabuleiro está exposto para quem quiser ver.

Resta saber se as instituições que sobraram do século passado suportarão o peso dessas novas ambições. A diplomacia, por enquanto, parece ter sido deixada para trás no gelo que racha sob o peso dos tanques e das escavadeiras de minério.

Resumo dos Interesses Estratégicos (05/02/2026)

Região/Bloco Principal Objetivo Status da Tensão
Eixo Rússia-China Contraponto à hegemonia ocidental Aliança consolidada
Groenlândia (EUA) Extração de minerais de terras raras Crise Diplomática Alta
União Europeia/Otan Preservação da soberania dinamarquesa Ruptura interna iminente

Fontes: Chancelaria Russa, Departamento de Estado dos EUA, Ministério da Defesa da Dinamarca e Agências Internacionais.