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A Morte — O mistério que insiste em nos ensinar a viver
Uma reflexão sobre o mistério da morte e o valor da vida — onde o fim revela, em silêncio, o quanto é urgente simplesmente estar vivo.
Há perguntas que nascem com a gente. “Por que morrer?” é uma delas. Vem silenciosa, como um eco escondido por trás de cada nascimento. Crescemos tentando respondê-la, mas ela nunca se explica por completo.
A vida é uma escola sem currículo fixo. A gente aprende, erra, ama, desama, recomeça. Nascemos para brilhar, mas nem todos conseguem acender a própria luz. Mesmo assim, seguimos — tropeçando, mas seguimos. Tentamos ser bons, ainda que nem sempre consigamos. Porque viver é isso: um eterno ensaio para o que vem depois, se é que vem.
Amamos incondicionalmente, porque viver sem amor é o vegetar da alma. Casamos, criamos filhos, colecionamos alegrias e mágoas. Somos amados e odiados na mesma medida — e, no fim, ninguém escapa da pergunta: por que morrer?
Transformar-se em pó, virar lembrança, adubar o chão... que sentido há nisso? Como aceitar deixar aqui quem tanto amamos, cuidamos, discutimos? Não parece justo.
Eu, por exemplo, não queria partir sem pedir desculpas a quem feri. Mas quem pode pedir perdão se não sabe o dia da despedida?
Dizem haver um paraíso, um lugar lindo, pertinho de Deus.
Mas quem garante?
Quem viu, quem voltou para contar?
E se tudo for só isso — um sopro breve entre o nascer e o desaparecer?
Mesmo assim, eu acredito. Não sei em que forma, não sei em que idioma, mas acredito em algo maior. Uma força silenciosa que guia o caos, que escreve a história que chamamos de destino.
Hoje cedo, antes das oito, minha irmã me mandou uma mensagem: “A Milli foi embora.”
A voz dela tremia até nas letras.
Milli era a cachorrinha da família. Quinze anos de lealdade, carinho, presença. Quinze anos cabendo em três quilos de amor.
E agora, o vazio.
Como entender isso? Será que, se os seres nunca morressem, a Terra perderia o equilíbrio? Que diferença fariam três quilos a mais na balança do mundo?
Lembro do meu pai, dos meus avós, dos amigos que partiram. Lembro dos bichos, das árvores, das risadas que ficaram no ar.
A morte vai esculpindo em nós uma saudade permanente. Uma saudade que ensina — porque só quem perde entende o valor de estar aqui.
Talvez o grande segredo não seja decifrar a morte.
Talvez o segredo seja usá-la como lembrete: estamos vivos. Agora.
E isso, meu amigo, já é milagre suficiente.
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