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A Busca por Deus

Reflexão sobre a fé
ATLAS DAS VOZES

Entre o tudo e o nada, um homem procura Deus nas dúvidas, nas forças e no silêncio — e encontra somente o reflexo do próprio mistério.

Há dias em que sinto Deus como um rumor no sangue — uma vibração absurda que atravessa tudo, até o pensamento.

Chamo-O de Deus, mas podia chamar de eletricidade, de cosmos, de pulsar do impossível.

Outros dias, porém, Ele é só uma ideia cansada, um resto de fé pendurado no varal da alma, secando ao vento da descrença.

Há dias em que O vejo no furor do mar, na geometria impiedosa das montanhas, no verde inquieto das árvores — e então, sim, o mundo é uma máquina divina.

Outros, o mundo é somente um mecanismo estúpido que gira sem propósito, e eu dentro dele, girando também.

O espiritismo às vezes me consola, como um abrigo temporário contra o frio do nada.

Mas há dias em que procuro Deus na humanidade — e encontro só ruído, vaidade, carne e ausência.

E há dias ainda mais fundos, quando não creio em nada, nem em mim, nem no espelho, nem nas palavras que escrevo.

Mesmo assim, algo me insiste — uma centelha invisível, uma obstinação metafísica — dizendo que Ele existe, lá, num ponto inalcançável, onde tudo faz sentido e se dissolve.

Talvez Deus seja essa própria dúvida.

Decerto o crer e o descrer sejam o mesmo gesto — um movimento da alma tentando tocar o inefável.

E sigo, como todos, cambaleando entre o tudo e o nada, procurando o que não sei nomear, mas sinto pulsar no próprio vazio.

Se há um Criador, um Omnicriador, Ele me observa com olhos de eternidade — e eu, tão breve, continuo tentando crer.