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Geopolítica e o mundo: a teia de interesses americanos

Mapa-múndi geopolítico destacando zonas de tensão estratégica
Por Rico Russo | O Mapa Rasgado | ATLAS DAS VOZES

A política externa dos Estados Unidos se organiza como uma rede de interesses que atravessa continentes, articula alianças e produz tensões duradouras. No centro desse tabuleiro, Washington projeta influência por meio da diplomacia, do poder econômico e, em última instância, da força militar.

A relação com Rússia e China, potências rivais, é marcada por uma disputa contínua por áreas de influência. No caso russo, o foco recai sobre a Europa Oriental, especialmente após a ampliação da OTAN e os conflitos envolvendo a Ucrânia. Já com Pequim, a competição se concentra no Mar do Sul da China, região estratégica para o comércio global e alvo de disputas territoriais envolvendo países asiáticos. O embate vai além da geografia: manifesta-se em sanções econômicas, restrições comerciais e disputas tecnológicas.

No entorno estratégico do continente americano, a atuação dos Estados Unidos assume múltiplas faces. Com Canadá e México, as relações são moldadas por fronteiras compartilhadas e por acordos comerciais como o USMCA, tratado que regula o comércio entre os três países e substituiu o antigo NAFTA. Ainda assim, temas como imigração, segurança e autonomia econômica geram atritos recorrentes.

A Venezuela, detentora das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, permanece como ponto de tensão constante. As sanções impostas por Washington e o apoio político a setores da oposição refletem o confronto com o governo de Nicolás Maduro, agravado pela crise institucional e humanitária no país. Em contraste, a Colômbia é tratada como aliada estratégica, recebendo apoio militar e financeiro no combate ao narcotráfico e a grupos armados, o que consolida a presença americana na região andina.

A Groenlândia, território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca, não figura como palco de conflito armado, mas ganhou relevância geopolítica crescente. Sua posição no Ártico, o potencial de novas rotas marítimas e a existência de recursos minerais despertam o interesse de Washington, sobretudo diante da expansão russa e chinesa na região. A tentativa americana de negociar a compra da ilha, rejeitada por Copenhague e pelo governo local, expôs de forma direta essa importância estratégica.

Traçar um “meridiano de conflitos” ajuda a visualizar esse cenário. A linha simbólica parte do Ártico, atravessa a Europa Oriental, alcança o Oriente Médio — região onde os Estados Unidos mantêm presença e influência históricas — e desce pela América Latina. Não se trata de um eixo fixo, mas de um movimento constante, moldado por alianças, disputas regionais e interesses econômicos.

Em caso de escalada, os cenários variam conforme o ator envolvido. Com Rússia e China, o confronto direto é improvável, dado o risco nuclear. O caminho mais recorrente passa por guerras por procuração, ataques cibernéticos e pressões econômicas. Na América Latina, a tensão com a Venezuela poderia se traduzir em bloqueios, isolamento diplomático ou iniciativas regionais. Já na Groenlândia, a disputa permanece no campo diplomático e econômico, ligada à exploração de recursos e à presença estratégica no Ártico.

A estratégia americana, em síntese, busca preservar sua posição de hegemonia global, ajustando instrumentos de contenção e projeção de poder conforme a natureza de cada desafio — ou oportunidade.