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Linha do Tempo de Intervenções Militares dos EUA (Século XX e XXI) — Com Comparação à Venezuela 2026

Por Lina Vasconcelos | O Mapa Rasgado | ATLAS DAS VOZES

Resumo histórico que situa a intervenção dos EUA na Venezuela em 2026 no contexto de outras ações militares ao longo dos séculos XX e XXI. A linha do tempo foca em intervenções diretas ou regimes change (mudança de regime) nas quais forças militares dos EUA estiveram envolvidas abertamente, com impactos políticos significativos.

Década de 1890 – Guerra Hispano-Americana (1898)
Os Estados Unidos derrotaram a Espanha e assumiram controle sobre Cuba, Porto Rico e Filipinas, sinalizando o início de sua projeção como potência imperial. Este conflito marcou o nascimento da influência militar americana fora do continente, com justificativas ligadas ao fim do colonialismo espanhol e à “libertação” de povos colonizados. Historiadores apontam que este marco consolidou a "Doutrina Monroe" (América para os Americanos), transformando o Caribe em uma zona de influência direta de Washington.

1983 – Granada - (Operação Fúria Urgente)
Forças dos EUA invadiram Granada para derrubar um governo marxista militar e resgatar cidadãos americanos, numa operação rápida que levantou debates sobre soberania e pretextos humanitários. A ação foi uma resposta direta à influência cubano-soviética na ilha, reforçando a política de contenção do comunismo na região.

1986 – Operação El Dorado Canyon (Líbia)
Os Estados Unidos bombardearam alvos na Líbia em resposta a ataques terroristas atribuídos ao regime de Muammar Gaddafi. Embora nem uma invasão terrestre nem mudança de regime formal, foi uma ação militar importante sem mandato claro do Conselho de Segurança da ONU.

1989 – Invasão do Panamá (Operation Just Cause)
O caso mais comparável à Venezuela em termos regionais: os EUA invadiram o Panamá, derrubaram o general Manuel Noriega acusado de narcotráfico e redesenvolveram o regime político local. Noriega foi capturado e levado para julgamento nos EUA. A intervenção foi justificada por motivos de segurança e combate ao tráfico, mas também confrontou críticas por violação de soberania. Importante notar que, assim como em 2026, o uso do sistema judiciário americano para processar chefes de Estado estrangeiros serviu como base legal interna para a mobilização militar.

1990-1991 – Guerra do Golfo (Iraque)
Após a invasão do Kuwait pelo Iraque, os Estados Unidos lideraram uma coalizão com aprovação do Conselho de Segurança da ONU para expulsar as forças iraquianas. Esta operação teve autoridade internacional formal, ao contrário de muitas outras intervenções unilaterais.

2003 – Invasão do Iraque
Sem autorização clara da ONU, os EUA invadiram o Iraque sob a alegação de que o país possuía armas de destruição em massa (o que depois não se confirmou). A intervenção levou à derrubada do governo de Saddam Hussein e gerou uma longa ocupação e instabilidade regional. Esta ação é frequentemente citada como um exemplo de violação do direito internacional devido à falta de mandato do Conselho de Segurança.

2011 – Intervenção na Líbia (Operation Unified Protector)
Uma operação da OTAN apoiada por resolução do Conselho de Segurança da ONU para proteger civis durante a guerra civil contra o regime de Gaddafi. Embora tenha sido autorizada, a forma como evoluiu — com esforços efetivos para derrubar o governo — gerou debates sobre os limites de mandatos de proteção e mudanças de regime.

Venezuela – 3 de janeiro de 2026
O episódio mais recente e marcante na América Latina aconteceu quando os Estados Unidos conduziram uma operação militar que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, levando-os para enfrentar acusações nos EUA. Esta ação representa a primeira intervenção militar aberta dos EUA contra um governo sul-americano desde 1989.

Comparações e Notas Importantes

— Legalidade internacional: A intervenção de 2026 na Venezuela foi criticada por juristas e governos como violação do direito internacional, pois não contou com autorização da ONU nem foi uma resposta legítima a um ataque armado.

— Regime change: Assim como em Panamá (1989) e Iraque (2003), a ação visou remover e levar a julgamento um líder estrangeiro apontado pelos EUA como criminoso ou ameaça.

— Soberania e precedentes: Críticos apontam que, se ficar sem consequências, a operação de 2026 pode erodir normas de soberania e uso da força estabelecidas após a Segunda Guerra Mundial.

Conclusão: O que os EUA buscam com a intervenção de 2026?

Didaticamente, a ação em solo venezuelano sinaliza a reafirmação do papel dos EUA como "polícia hemisférica". Ao capturar um líder estrangeiro sob acusações de narcotráfico, Washington busca: 1) Neutralizar a influência de potências rivais (Rússia e China) na América do Sul; 2) Garantir estabilidade energética; e 3) Estabelecer um novo precedente onde a justiça doméstica americana se sobrepõe à soberania nacional estrangeira.
Fontes Sugeridas:
  • Carta das Nações Unidas (Artigo 2 e Capítulo VII).
  • Arquivos de Segurança Nacional dos EUA (National Security Archive).
  • Relatórios do Conselho de Relações Exteriores (CFR).
  • Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR).