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Roger Moreira x Wagner Moura: O embate ideológico que divide o Brasil e a cultura
O embate não é de hoje, mas o cheiro de mofo que exala de um lado e o brilho da tela projetada do outro tornam a briga atual. De um lado, o dedo em riste de quem já não compõe nada relevante há décadas; do outro, o silêncio estratégico de quem não tem tempo a perder com o baixo clero da provocação. Roger Moreira, o homem que um dia cantou que a gente era inútil, parece ter levado o próprio refrão a sério demais no campo das ideias. Ele resgatou um vídeo de 2021 para chamar Wagner Moura de "babaca". O crime do ator? Negar-se a comentar as frases de Sérgio Camargo — aquele que ocupou a Fundação Palmares para tentar apagar a história negra. Roger, a sentinela do sofá da madrugada, não aguentou o vácuo.
O lado B do Rock: Roger e o teclado como arma
Roger Moreira trocou as cordas da guitarra pelas teclas do X (antigo Twitter). Seu posicionamento não é apenas de direita; é de um conservadorismo que flerta com o barulho pelo barulho.
- Tico Santa Cruz: A briga é um clássico. Roger não poupa ofensas pessoais ao vocalista do Detonautas, transformando divergência política em baixaria pública.
- Preta Gil: O músico já destilou veneno contra a cantora, envolvendo-se em discussões sobre leis de incentivo à cultura, sempre com aquele tom de "dono da moral".
- Adriane Galisteu: Nem a apresentadora escapou das ironias pesadas do músico após comentários sobre o cenário político do país.
Seus amigos? O círculo do "bolsonarismo raiz". Figuras como Eduardo Bolsonaro e Carla Zambelli — nomes frequentemente enrolados em inquéritos sobre Fake News e atos antidemocráticos — são seus aliados de primeira hora. Na estante, Roger tem o passado: discos de platina e o respeito por um rock que já foi inteligente. Hoje, sobra o palco de um programa de entrevistas onde ele é a trilha sonora de piadas alheias.
O front global: Wagner e a arte como resposta
Wagner Moura não grita no Twitter. Ele dirige, atua e ocupa espaços que o rock nacional de direita nem sonha em acessar. Ele é a esquerda que incomoda porque é bem-sucedida.
- Sérgio Camargo: No Roda Viva, Moura o tratou como uma "não-entidade". A recusa em citar o nome do então presidente da Palmares deixou a direita espumando.
- Mário Frias: O ex-secretário de Cultura e o ator trocaram farpas públicas após Frias atacar o financiamento de Marighella, chamando-o de "obra de militante".
- Marco Feliciano: O pastor e político já direcionou diversas ofensas ao ator por conta de suas posições em defesa da causa LGBTQIA+, sendo prontamente ignorado por Moura.
Wagner caminha com Guilherme Boulos e tem no círculo íntimo nomes como Caetano Veloso. Escândalos? Os seus são as tentativas de censura que sofreu do governo passado. Prêmios? O Urso de Ouro em Berlim por Tropa de Elite, indicação ao Globo de Ouro por Narcos e o aplauso em pé em Cannes.
No Atlas das Vozes, a gente sabe que o som revela o caráter. Mas fica a pergunta para você, que chegou até o fim do texto:
Quem realmente merece a sua audição?
Aquele que se esconde atrás de uma rede social para atacar colegas enquanto toca "jingles" em um talk show, ou aquele cujo trabalho é respeitado por quem entende de cinema de Hollywood a Berlim? O grito desesperado de quem está perdendo o protagonismo da história ou a voz pausada de quem a está escrevendo agora? A escolha, leitor, diz mais sobre você do que sobre eles.
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