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O tribunal do vício: a tese do 'tabaco digital' ganha corpo em Los Angeles

O tribunal do vício: a tese do 'tabaco digital' ganha corpo em Los Angeles
O tribunal do vício
Rapidinha 12 de Fevereiro, 2026
Por Rico Russo | ATLAS DAS VOZES

O tribunal do vício: a tese do "tabaco digital" ganha corpo em Los Angeles

O julgamento histórico contra Meta e Google em Los Angeles entrou em uma fase crítica. Nesta quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, Adam Mosseri, o "chefão" do Instagram, subiu ao banco dos réus para tentar desarmar a tese mais perigosa para as Big Techs: a de que suas plataformas funcionam como um "cassino digital" projetado para capturar a atenção de menores de idade. Mosseri, em um depoimento tenso, rejeitou a existência de um "vício clínico" causado pelas redes, admitindo apenas o que chamou de "uso problemático".

A estratégia da defesa é clara: isolar o problema. Enquanto a acusação, liderada pelo advogado Mark Lanier, utiliza e-mails internos de 2019 para mostrar que a cúpula do Instagram sabia dos danos causados por filtros de imagem em meninas adolescentes, a Meta tenta empurrar a responsabilidade para fora. Os advogados da empresa argumentam que os danos psicológicos relatados pela autora do processo, Kaley G. M., têm raízes em questões familiares e pessoais, e não na arquitetura do algoritmo.

O Google, que também divide o banco dos réus com o YouTube, segue uma linha similar, negando que a plataforma seja viciante e alegando que recursos como o "scroll infinito" podem ser desativados pelos usuários. No entanto, a pressão aumenta à medida que pais de jovens que tiraram a própria vida ocupam as primeiras fileiras do tribunal, transformando o caso em um acerto de contas público. O depoimento mais esperado, de Mark Zuckerberg, está agendado para o dia 18 de fevereiro, prometendo ser o ponto de inflexão de um processo que pode redefinir a responsabilidade civil no Vale do Silício.

BOX: O CERCO FECHA – ATUALIZAÇÃO EM TEMPO REAL

Manobra Semântica Fim da Blindagem O Fator Humano Impacto Econômico
Meta substitui a negação total pelo termo "uso problemático", tentando desvincular o comportamento do usuário da engenharia do algoritmo. Juiz aceita tese de "Responsabilidade pelo Produto", tratando redes sociais como objetos defeituosos e ignorando a imunidade da Seção 230. Pressão estética no tribunal: presença de famílias de vítimas transforma tecnicismos jurídicos em um julgamento moral e público. Mercado monitora custo bilionário de um possível redesenho obrigatório das funções de autoplay e scroll infinito no Instagram e YouTube.

Fonte: Transcrições oficiais do Tribunal Superior de Los Angeles (Caso K.G.M. vs. Meta/Google), relatórios de audiência em tempo real e monitoramento das agências Reuters e Bloomberg, 12 de fevereiro de 2026.

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