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A Cúpula dos Crachás de Aluguel: Trump e o Novo Bloco de Subalternos
A Cúpula dos Crachás de Aluguel
Em Miami, onde o sol costuma ser mais generoso que a diplomacia, Donald Trump decidiu contar o rebanho. No próximo dia 7 de março, a Casa Branca estende o tapete vermelho para uma seleta linhagem de governantes latino-americanos: o clube dos aliados incondicionais que aceitaram o papel de xerifes de fronteira em troca de um tapinha nas costas.
A lista é um exercício de exclusão. Estarão lá Javier Milei, Santiago Peña e Rodrigo Paz. A ausência de Lula não é um descuido, mas o barulho de uma porta que se fecha para quem não decorou o roteiro escrito no Salão Oval. O cardápio é indigesto: o muro invisível contra a China e a institucionalização da prisão de deportados.
Na prática, Trump não está comprando alianças, está alugando soberanias. O preço é a aceitação de que o quintal deve ser limpo de influências asiáticas, enquanto aviões com deportados pousam sem escalas em aeroportos que, outrora, se pretendiam independentes.
É curioso observar o entusiasmo de líderes que se dizem soberanos ao aceitarem o papel de subalternos de luxo. Enquanto discutem como barrar Pequim, seus próprios PIBs dependem desesperadamente da soja e do minério que viajam para o Oriente. Trump quer uma guarda pretoriana, não cooperação.
Em Miami, o que se verá não é diplomacia, é uma transação. A dúvida é quanto dura a lealdade de quem se vende por uma foto, enquanto o mundo real caminha em outra direção. A América Latina ensaia o papel de figurante em uma guerra que não é sua, mas cujas cicatrizes sociais serão, como sempre, exclusivamente nossas.
Fontes: Reuters, Agência EFE, Departamento de Estado dos EUA e Correspondentes Internacionais.
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