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Banco Master: investigação chega ao STF e envolve Reag e Dias Toffoli

Banco Master: investigação chega ao STF e envolve Reag e Dias Toffoli
Fachada do Banco Master e imagem do Supremo Tribunal Federal em Brasília, simbolizando a conexão entre investigação financeira e Judiciário.
Por Rico Russo | A ENGRENAGEM E O MANDO | ATLAS DAS VOZES

Operações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta no Banco Master alcançam fundos administrados pela Reag e chegam ao Supremo Tribunal Federal sob relatoria de Dias Toffoli.

A sucessão de operações que atingiu o mercado financeiro nos últimos meses deslocou o caso Master do noticiário econômico para o centro da política institucional. O que começou como investigação sobre lavagem de dinheiro e fraude bancária passou a tangenciar o Supremo Tribunal Federal.

A engrenagem financeira sob investigação

No núcleo da apuração está o Banco Master. A Polícia Federal e a Receita Federal investigam estruturas financeiras que teriam sido utilizadas para ocultar recursos de origem ilícita. Parte dessas movimentações, segundo os autos tornados públicos, passou por fundos de investimento administrados pela Reag.

As operações batizadas de Carbono Oculto e Compliance Zero descrevem um mecanismo que combina emissão e aquisição de títulos de crédito, pulverização de recursos por meio de fundos estruturados e sucessivas transferências destinadas a dificultar rastreamento.

De acordo com a Receita, a estrutura teria sido usada para sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. A Polícia Federal aponta indícios de que parte das movimentações estaria associada a redes criminosas, incluindo investigações que citam o Primeiro Comando da Capital.

A Reag surge como administradora de fundos que negociaram papéis emitidos pelo Banco Master. O Banco Central adotou medidas administrativas em relação à gestora no início de 2026. O banco afirma colaborar com as autoridades e nega irregularidades.

O ponto sensível no Supremo

O caso ganhou nova dimensão quando recursos e pedidos relacionados à investigação chegaram ao Supremo e foram distribuídos, por sorteio eletrônico, ao ministro Dias Toffoli.

Reportagens recentes indicaram que familiares do ministro tiveram participação societária em empresa cujos ativos foram negociados com fundos administrados pela Reag. Em 2021, Toffoli adquiriu participação na empresa familiar Maridt, segundo registros societários públicos.

Até o momento, não há decisão judicial que atribua ilegalidade ao ministro ou a seus familiares. Tampouco há condenação transitada em julgado relacionada a esses fatos. O que existe é o encadeamento de relações empresariais que, diante da relatoria do caso, gerou questionamentos sobre eventual conflito de interesse.

O gabinete do ministro informou que as decisões adotadas seguem os ritos regimentais e que a tramitação respeita o devido processo legal.

Outros ministros e desdobramentos

Até agora, não há registro público de envolvimento direto de outros ministros do Supremo ou de tribunais superiores nas estruturas investigadas. Investigados tentaram deslocar a competência de partes do processo para o STF, sob argumento de conexão com autoridades com foro privilegiado. Algumas dessas tentativas foram rejeitadas.

O inquérito permanece em curso. Não há denúncia formal julgada nem sentença definitiva. As decisões futuras — seja na esfera penal, seja na administrativa — definirão se as suspeitas se transformarão em condenações ou se permanecerão como um episódio de fragilidade no sistema de fiscalização financeira.

Elemento Descrição Situação atual
Banco Master Investigado por suspeita de fraude e lavagem por meio de fundos e títulos de crédito. Inquérito em andamento.
Reag Administradora de fundos que negociaram papéis ligados ao banco. Alvo de medidas administrativas do Banco Central.
Relatoria no STF Distribuição por sorteio ao ministro Dias Toffoli. Sem declaração de impedimento até o momento.

Fontes: Polícia Federal; Receita Federal; Banco Central do Brasil; notas oficiais do STF; reportagens da CNN Brasil, Agência Brasil, Correio Braziliense e Gazeta do Povo.