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Acadêmicos de Niterói na Sapucaí

Acadêmicos de Niterói na Sapucaí
Desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de Sapucaí durante o Carnaval 2026 com alegorias de temática política
Por Rico Russo | BRASIL EM TESTE | ATLAS DAS VOZES

Presidente em exercício virou enredo no Grupo Especial e levou a política para o centro da avenida em ano eleitoral.

A Acadêmicos de Niterói estreou no Grupo Especial com o presidente da República como enredo. “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” levou para a avenida a trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, da infância no Nordeste ao terceiro mandato no Planalto. Não era referência distante. Era nome, rosto e cargo.

Política na pista

Os carros passaram sem contorno. Um deles trouxe Jair Bolsonaro representado como um palhaço atrás de grades, com tornozeleira eletrônica. Outro encenou o impeachment de Dilma Rousseff, com Michel Temer tomando a faixa. A política recente virou alegoria monumental. Parte do público cantou junto. Parte vaiou. A transmissão registrou.

O desfile ocorreu sob questionamento sobre recursos públicos. Um convênio entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba prevê R$ 12 milhões ao Grupo Especial — R$ 1 milhão por escola — com justificativa de promoção do turismo internacional. Parlamentares acionaram o Tribunal de Contas da União pedindo análise do repasse em ano eleitoral.

Além desse valor, há a subvenção tradicional da Prefeitura do Rio e do Governo do Estado para as agremiações. Até 17 de fevereiro de 2026, não houve bloqueio judicial.

Lula assistiu ao desfile do camarote da Prefeitura, ao lado do prefeito Eduardo Paes e ministros. A presença foi pública. Fotografada. Filmada. Janja era aguardada como destaque, mas não desfilou. Permaneceu no camarote. Não houve explicação formal.

Após a apresentação, partidos ingressaram no Tribunal Superior Eleitoral alegando propaganda antecipada. A escola respondeu que exerceu liberdade artística e que sofreu pressão política durante a preparação do enredo. Não há decisão judicial que altere o resultado do desfile.

Histórico de confronto

Carnaval nunca foi neutro. A avenida sempre falou de poder. Império Serrano levou Zumbi em 1969. Beija-Flor denunciou corrupção em 1989. Mangueira recontou a história oficial em 2019. Escola de samba disputa narrativa há décadas.

O que muda em 2026 é o tempo do verbo. Um presidente em exercício, em ano eleitoral, sentado no camarote enquanto a própria trajetória atravessa a pista sob holofote e verba pública.

Item Valor Observação
Convênio Embratur–Liesa R$ 12 milhões R$ 1 milhão por escola do Grupo Especial
Subvenção municipal e estadual Valores variáveis Repasse tradicional anual às agremiações

Fontes: Liesa; Embratur; Tribunal de Contas da União; Tribunal Superior Eleitoral; cobertura da imprensa nacional em 17/02/2026.