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O rastro do Master: a Polícia Federal, o STF e o efeito dominó no sistema financeiro
O que começou como um problema contábil no Banco Master virou uma crise institucional.
E, em fevereiro de 2026, a fatura ainda não foi paga — mas já começou a chegar.
Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, comandado pelo empresário Daniel Vorcaro. À época, as suspeitas envolviam operações que inflaram artificialmente ativos e CDBs acima do mercado para sustentar níveis de captação insustentáveis.
Desde então, a crise arrastou autoridades financeiras, órgãos de controle e o próprio Supremo Tribunal Federal (STF) para o centro do furacão.
O cerco se fechou
A Polícia Federal, no âmbito da Operação Compliance Zero, aprofundou as investigações.
No início de 2026, o foco ultrapassou o banco falido: foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e parentes próximos, incluindo pai, irmã e cunhados, resultando no bloqueio de mais de R$ 5,7 bilhões e apreensão de bens de luxo.
O relatório da PF, obtido por fontes do Judiciário, menciona supostas conexões entre Vorcaro e o ministro Dias Toffoli, então relator dos autos no STF. Após semanas de pressão pública, Toffoli decidiu se afastar da relatoria do caso, alegando a importância institucional do processo. Seu relatório foi transferido para outro ministro.
Oficialmente, ele nega qualquer relação imprópria com Vorcaro ou recebimento de valores.
Mas a discussão sobre conexões políticas reacendeu um debate maior sobre transparência na Corte.
O efeito dominó no mercado
O impacto não ficou restrito ao Master.
O Banco Regional de Brasília (BRB), que havia estudado comprar o Master antes da liquidação, descobriu “achados relevantes” nas auditorias internas e entregou relatórios preliminares à PF e ao Banco Central, enquanto tenta conter prejuízos e reforçar controles.
Depoimentos à PF indicaram que o BRB rejeitou bilhões em ativos durante a negociação com o Master — incluindo cerca de R$ 51,2 bilhões em ativos e passivos e outros R$ 5 bilhões supostamente atribuídos a carteiras sem lastro.
Paralelamente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu um pente-fino nas operações entre o Master, BRB e corretoras investigadas, com o objetivo de mapear irregularidades que podem ter exposto investidores e fundos públicos a riscos.
O Congresso entra no jogo
Com o caso ganhando contornos nacionais, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado instalou um grupo de trabalho permanente para acompanhar as investigações sobre o Master e suas ramificações.
Senadores destacaram que a liquidação do Master, decretada em novembro de 2025, deveria ter ocorrido mais cedo, e que há necessidade de requisição de documentos sigilosos para entender a atuação de órgãos como Banco Central, CVM, PF e TCU.
Convites foram aprovados para que PF, BC, CVM, TCU e ex-presidentes do BRB e do Master, incluindo o próprio Vorcaro, prestem esclarecimentos ao colegiado.
O rastro começa no passado
As operações que levaram ao colapso financeiro do banco não surgiram do nada.
Sob a direção de Vorcaro, o patrimônio do Master cresceu de maneira acelerada entre 2019 e 2024 — de cerca de R$ 200 milhões para bilhões de reais — sustentado em grande parte pela emissão de CDBs com retornos acima da média de mercado e carteiras de crédito lastreadas em ativos complexos e de difícil avaliação.
A estratégia atraiu atenção e capital.
Mas também gerou riscos significativos.
Em meio a essa expansão, fundos ligados ao próprio banco passaram a assumir papéis que, posteriormente, foram questionados por sua real liquidez e transparência, ocasionando a intervenção do Banco Central e a liquidação extrajudicial do Master ao fim de 2025.
Uma crise que ainda não acabou
O caso do Banco Master deixou de ser apenas uma falência bancária.
Virou um teste de estresse para o sistema regulatório brasileiro.
Entre expectativas de aprofundamento das quebras de sigilo tecnológico, audiências públicas, acolhimento de documentos confidenciais e cruzamento de dados, a investigação agora envolve poderes distintos — Executivo, Judiciário, Legislativo e instituições de controle.
A mistura de gestão arriscada, relações políticas e redes de influência criou uma crise que segue sem definição clara.
E, enquanto a sociedade acompanha cada novo capítulo, o sistema financeiro observa com um misto de apreensão e curiosidade.
Porque o rastro do Master ainda está longe de ser conhecido por completo.
Fontes atualizadas até 19/02/2026
• Relatório e ações da CAE no Senado Federal relacionadas ao Banco Master e suas ramificações.
• Polícia Federal e extração de dados ligados a Vorcaro e parentes.
• Recusa de Dias Toffoli no caso e realocação no STF.
• Apuração do BRB sobre achados relevantes e entrega de relatórios a autoridades.
• Depoimentos sobre exclusão de ativos bilionários nas negociações com o BRB.
• Inquérito da CVM e investigação aprofundada nas relações entre Master-BRB-Reag.
• Convites aprovados pela CAE para ouvir autoridades e ex-dirigentes.
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