Carlos Bolsonaro - o cofre, a laranja e o processo acordou

Rapidinha 24/02/2026

A investigação criminal contra Carlos Bolsonaro por desvio de dinheiro público e rachadinha é reaberta no exato momento em que ele perde a blindagem do mandato.

Carlos Bolsonaro

Por Rico Russo | Atlas das Vozes

O processo estava dormindo numa gaveta, pegando pó desde setembro de 2023. Alguém, finalmente, resolveu abrir. Hoje, 24 de fevereiro, a investigação criminal contra Carlos Bolsonaro por desvio de dinheiro público, funcionário fantasma e rachadinha foi reaberta. Só que agora o cenário é outro. Ele não tem mais o mandato de vereador para amortecer o impacto. A blindagem derreteu.

Parem e pensem na matemática da coisa. O sujeito tem um plano de saúde por nove anos. Nove anos. Sabe quantos boletos saíram da conta bancária dele nesse período inteiro? Um. Um único boleto. O resto das mensalidades simplesmente não existe no banco. Foram pagas, claro, mas por assessores ou em dinheiro vivo. É um deboche aberto com quem conta os centavos para pagar o próprio boleto no fim do mês.

O mesmo truque de mágica aparece na compra de um apart-hotel em Copacabana, lá em 2009. Comprado à vista. No cartório, o valor declarado foi de 70 mil reais, uma pechincha que beira o ridículo, já que a própria prefeitura avaliava o imóvel em 236 mil na época. É o tipo de negócio que só existe em um lugar: na lavanderia. Quando o dinheiro não pode passar pelo sistema financeiro, o tijolo vira a moeda perfeita.

O que acelerou as coisas agora foi movimento físico. Ele foi ao banco abrir um cofre particular. Os investigadores cruzaram isso com o histórico de visitas ao cofre que ele já mantinha e com o mapeamento dos contatos com Ana Cristina Valle, ex-mulher de Jair Bolsonaro. Ela não é uma personagem periférica. Foi a chefe de gabinete dele. Ela aparece na história como a operadora original do esquema, a engrenagem que usava laranjas para receber os depósitos e esconder a origem dos repasses.

As conversas saíram do celular e o rastro do dinheiro vivo bateu na porta do cofre. A conta não costuma falhar.

O INVENTÁRIO DAS SUSPEITAS

O histórico que ronda Carlos Bolsonaro concentra-se no período em que a Câmara Municipal do Rio de Janeiro serviu como base financeira. As frentes de investigação que agora fecham o cerco são claras:

Rachadinha e Funcionários Fantasmas: O esquema de devolução ilegal de salários de assessores nomeados, muitos dos quais sequer pisavam na Câmara.
Lavagem de Dinheiro via Imóveis: Uso sistemático de dinheiro vivo para comprar propriedades com valores declarados em cartório drasticamente inferiores aos de mercado.
Ocultação de Patrimônio (Cofre Bancário): Manutenção de um cofre no Banco do Brasil para estocar grandes volumes de dinheiro em espécie, escapando do radar do Coaf.
Pagamento de Despesas por Terceiros: Contas pessoais estruturais, como planos de saúde, sendo quitadas regularmente por chefes de gabinete e servidores.
Leitura estimada: 3 minutos.

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